Tchitundo-Hulo: O Morro Sagrado de Angola
NAMIBE, Angola — Num recanto árido do sul de Angola, onde o vento parece sussurrar histórias antigas, ergue-se um dos mais importantes monumentos culturais do país. Tchitundo-Hulo continua a fascinar investigadores, artistas e viajantes. Este morro sagrado guarda em suas pedras as marcas de um povo que encontrou na arte a forma de eternizar sua existência.
🔍 EM SÍNTESE
| Localização | Província do Namibe, sul de Angola |
| Significado | Principal sítio de arte rupestre do país |
| Estado | Classificado como Património Cultural Nacional |
| Ameaças | Erosão natural e falta de investimento em preservação |
| Novidade | Projeto de digitalização em parceria com universidades previsto para 2027 |
De acordo com fontes do Ministério da Cultura de Angola, as gravuras rupestres de Tchitundo-Hulo representam uma das mais antigas formas de comunicação visual conhecidas no país. Cada símbolo, cada traço gravado na rocha, preserva fragmentos da memória coletiva dos povos que habitaram a região há milénios. Figuras humanas, animais, formas geométricas e cenas de caça contam histórias que atravessaram gerações sem perder o seu significado.
Um estudo recente, ainda não publicado, sugere que algumas das gravuras podem ter entre 8.000 e 12.000 anos, o que as colocaria entre as mais antigas do continente africano. Especialistas aguardam a confirmação por datação por carbono.
"A arte rupestre não é apenas memória. É uma conversa silenciosa entre gerações — um diálogo que atravessa o tempo sem perder a sua voz. É urgente protegê-la como património da humanidade." — Dra. Isabel Mendes, arqueóloga da Universidade Agostinho Neto
O estudo destes registos continua a revelar novas interpretações sobre a história, a espiritualidade e a identidade cultural de Angola. Tchitundo-Hulo é mais do que um sítio arqueológico: é um território sagrado onde o passado e o presente se encontram. No entanto, a erosão natural e a ausência de um plano de conservação sistemático colocam o sítio em risco.
Organizações da sociedade civil têm pressionado por medidas concretas, incluindo a candidatura do local a Património Mundial da UNESCO — um processo que poderá levar ainda vários anos.
Proteger este património é garantir que as próximas gerações possam compreender as raízes profundas da criatividade humana em África. Iniciativas de valorização, estudo e divulgação são essenciais para manter viva a memória ancestral que habita cada gravura.
Recentemente, o governo angolano anunciou uma parceria com a União Europeia para financiar a primeira fase de inventário digital das gravuras. O projeto, orçado em 450 mil euros, prevê a criação de um arquivo fotográfico de alta resolução e a formação de jovens guias locais.
Partilhe a sua opinião nos comentários. Vamos valorizar juntos o nosso património. — Carnot Júnior, artista plástico e designer
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Texto original publicado em CJ Arte Studio
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